SERÁ QUE SEMPRE DECIDIMOS DE FORMA CONSCIENTE?
? A RESPOSTA É NÃO. Isso é tão verdade, que na maioria das vezes tomamos decisões de forma inconsciente. Imagine que temos dois sistemas, 1 e 2, ambos ativos sempre que estamos despertos. O Sistema 1 funciona automaticamente e o Sistema 2 está normalmente em um confortável modo de pouco esforço, em que apenas uma fração de sua capacidade está envolvida. O 1 gera continuamente sugestões para o 2: impressões, intuições e sentimentos. Se endossadas pelo Sistema 2, impressões e intuições se tornam crenças, e impulsos se tornam ações voluntárias;
? E OS VIESES? Conseguiu enquadrar o que seria inconsciente e consciente? Acontece que o Sistema 1 tem vieses, ou seja, erros sistemáticos que ele tende a cometer em circunstâncias específicas;
?? E NA PRÁTICA? Uma pesquisa buscou os “efeitos de esgotamento” em julgamentos, acompanhados pela Proceedings of The National Academy: os participantes eram 8 inadvertidos juízes de condicional em Israel. Eles passaram dias inteiros revisando pedidos de condicional. Os casos foram apresentados em ordem aleatória, e os juízes dedicaram pouco tempo para cada um, numa média de 6 minutos (A decisão padrão é a rejeição da condicional; apenas 35% dos pedidos foram aprovados. O tempo exato de cada decisão é registrado, assim como intervalos de refeição – manhã, almoço e lanche da tarde);
? RESULTADOS: Os autores do estudo fizeram uma relação entre pedidos aprovados e o tempo desde a última pausa para refeição. Após cada refeição, cerca de 65% dos pedidos são concedidos. Durante as duas horas subsequentes, mais ou menos, esse índice passa a diminuir até chegar perto de zero pouco antes da refeição. Como era de se esperar, esse é um resultado indesejável e os autores verificaram cuidadosamente muitas explicações alternativas. A melhor explicação possível dos dados é uma má notícia: juízes cansados e com fome tendem a incorrer na mais fácil posição padrão, negando os pedidos de condicional. Tanto o cansaço como a fome provavelmente desempenham um relevante papel na decisão.
Por: adaptado de Daniel Kahneman (Rápido e Devagar: duas formas de pensar).

