GERIR PESSOAS NA ÁREA PÚBLICA: COMO FAZER DIFERENTE?
Quem nunca passou horas em filas de atendimento em algum serviço público (agência, posto de saúde, hospital, etc.) e logo se queixou: “eles atendem assim porque são servidores e não estão nem aí para o cidadão!” Mas será que sempre foi e é assim em todos os órgãos? Você já se perguntou por que isso acontece e se é possível agir de forma diferente? Inúmeras são as causas desse “padrão” de atendimento, desde uma cultura organizacional pautada no continuísmo e na acomodação, ausência de políticas que visem à gestão do conhecimento, foco na formalização em detrimento da qualidade na prestação do serviço (disfunções da burocracia), falta de mecanismos de avaliação e falta de foco no aprendizado e qualificação dos servidores. É disso que a Gestão de Pessoas na Administração Pública trata e, dessa forma, apresentam-se alguns de seus estágios visando compreender sua evolução.
Gestão de Pessoas, num conceito geral, pode ser descrita como o meio capaz de auxiliar o administrador a desempenhar o processo administrativo responsável por planejar, organizar, dirigir e controlar suas ações, já que ele não realiza seu trabalho sozinho, mas, sim, por intermédio de pessoas que compõem sua equipe. É junto aos colaboradores que o gestor executa tarefas e alcança suas metas e objetivos e você deve ter um papel para que todos os colaboradores estejam totalmente integrados à sua cultura corporativa (COCKERELL, 2017).
Por outro lado, a Gestão por Competências é vista como um programa sistematizado e desenvolvido no sentido de definir perfis profissionais que proporcionem maior produtividade e adequação ao negócio, identificando os pontos de carência, suprindo lacunas e agregando conhecimento, tendo por base certos critérios objetivamente mensuráveis. Essa evolução de visão de gestão “por” competências (em vez “de” competências) busca suprir a “velha” ideia de atendimento das necessidades de treinamento por outra, mais direcionada para negócios da organização, aliada à capacidade de agregar valores à empresa.
A Gestão de Pessoas na Administração Pública pressupõe atenção para uma realidade diferente daquela consagrada na literatura, voltada para organizações privadas. Enquanto naquela o foco é o lucro, nesta o direcionamento é para o interesse público. Aspectos como contratação de empregados devem garantir a legalidade e isonomia, derivada da democracia, possibilitando a todos acessos iguais à contratação. No caso da Gestão por Competências na Administração Pública, destaco o exemplo de Cockerell (2017) que relata que as pessoas devem buscar ser vistas como ótimas parceiras da organização e, assim, serão fornecedoras de competências, havendo a necessidade de se investir em treinamento e desenvolvimento das pessoas na organização, avaliação de desempenho e remuneração. Dessa forma, mecanismos como o Decreto nº 7.133/2010 no Brasil passaram a apresentar as competências como requisitos dentro da avaliação de desempenho individual, possibilitando que elementos como a avaliação normal passe, enfim, a atender na gestão pública competências relacionadas ao conhecimento, às habilidades e às atitudes. Esse modelo de gestão para área pública ainda é incipiente, mas em crescimento na gestão de pessoas nas organizações.
Há muito ainda o que evoluir e várias são as ferramentas para tentar aperfeiçoar a Gestão de Pessoas na Área Pública dentro de suas acepções. O serviço público tem em seu fim a prestação de serviço ao cidadão e para atender o interesse público, o servidor é a principal ferramenta para isso. Valorizar o seu papel, criar um ambiente de contínua melhoria e de buscar reconhecimento, apreço e estímulo, é papel do Gestor Público. Como enfatiza Walt Disney “você pode sonhar, criar, projetar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo […] mas são necessárias pessoas para fazer do sonho uma realidade” (EISNER, 2011).
E você, Gestor Público: em que estágio da Gestão de Pessoas você se encontra?
Por Andrey Freitas da Silva: Mestre em Administração pela UFSC na área de Organizações e Sociedade e é pós-graduado em Gestão Pública pela UNISUL e Gestão das Pessoas nas Organizações pela FEPESE/UFSC; atua na área de Gestão Pública desde 2004.

